Luana amava borboletas. Estudou muito e chegou a se tornar entomóloga. As suas amigas não tinham nem idéia do que isso significava. Sim, Luana tinha amigas burras. Ela mesmo não era lá muito brilhante. Mas tinha um título e uma pós. Tudo fruto do amor pelas borboletas.

Luana se esforçava em capturá-las. Escrupulosa, não usava redes nem outros artifícios, apenas seu charme e exuberância. Em vão. Por mais que a garota corresse atrás, as borboletas sempre fugiam. Às vezes tentava não correr, se aproximando lentamente, só para no final ver os insetos e suas asas coloridas se afastando. Havia ocasiões que jurava que as borboletas riam da cara dela.

Foram tantas as tentativas frustradas que Luana se sentiu puta.

Uma amiga, ciente da dor da menina, mandou um email fofo que dizia: "Não corra atrás das borboletas. Cuide de seu jardim e elas virão até você!"

Luana coçou a cabeça, franziu o cenho e deu um meio-sorriso. Nos meses seguintes fez projetos, escolheu flores, revolveu a terra, adubou o solo, transplantou mudas, regou plantas, cuidou de pragas e esperou. Esperou. Esperou e esperou.

Num belo sábado de sol, a menina estava lendo o jornal em seu éden particular, quando o esperado aconteceu. Era ela! A primeira borboleta!

Luana estendeu a mão e o inseto pousou delicadamente em seus dedos. Com carinho, a menina a depositou no braço da cadeira. Enrolou o jornal que lia e pluft! Num movimento só, esmagou a desgraçada!

- Agora quem não quer sou eu, sua filha da puta!

Escrito por Phelipe, ou pelo Fábio? às 10h07
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