Fátima pegou os dois pelas bermudas, os jogou na cama king-size do patrão e avisou.


"Vão tirando a roupa, que o show vai começar”.


Pretinho e Fabinho obedeceram. A empregada de confiança de Larry pegou então uma vassoura. Dançou com o cabo entre as pernas, tirou a calcinha, roçou, roçou, roçou. Fazia que engolia a vassoura, lambia os dedos e passava as mãos molhadas por todo o corpo... Pulou na cama ao ver que os dois já estavam prontos. E por lá ficou por horas. Nem se importou com o interfone. Só parou quando viu Larry na porta:


"Puta que pariu, caralho! Ai, meu deus! Me desculpa, seu Léuri! Ai, tô fudida, porra... Puta que pariu!" Dizia, enquanto os dois se vestiam e saíam desesperados do apartamento. "Eu sei que o senhor vai me demitir, eu já vou juntar minhas coisas."


"Non precisa, Fátima. Só não fazer repetir, ok?" Disse Larry, tranqüilo.


Fátima nem acreditou. Trabalhava para o gringo desde que ele tinha vindo morar no Rio, dez anos atrás, mas nunca achou que seria perdoada depois desse flagrante. Sempre levou porteiros, amigos do Vidigal e garotos do condomínio para trepar no apartamento. Chegou a vender droga ali um verão inteiro, sem Larry desconfiar. Era uma empregada de confiança. Tinha que continuar assim. “Eu ganho em dólar, porra”, explicava para a amiga ao celular.


Na semana seguinte, tomou mais cuidado. Deu uma festa para quinze pessoas no sábado em que Larry viajou para Macaé. Dessa vez, avisou aos porteiros (que também puderam comer e beber) e ficou tudo sob controle. Maconha, cerveja, CD pirata tocando no aparelho de DVD, suruba, gente trepando na escada, no banheiro, no corredor e, claro, na king-size do patrão.


A demissão veio no fim do ano. Larry iria voltar para Nova York e não precisava mais dos serviços de Fátima. Esta, nem carta de recomendação ganhou. “Tô puta com aquele viado. Me deixou sozinha e sem trabalho. Fui daquele corno a vida inteira e saí sem destino”, reclamava com a amiga enquanto caminhavam em Copacabana. Ao chegarem no calçadão, foi abordada por um gringo. Não sabia falar inglês, mas percebeu que o negão a tinha reconhecido. Pediu para beijar a mão de Fátima:


"I´m a big fan of your website for, like, years. I know it´s an amateur thing, but I just love you. Love to watch you fucking for real." Disse, entusiasmado.


"Poxa, I love you também." Respondeu Fátima, sem entender muito o que ele tinha dito.

Tirou fotos com o gringo e continuou andando. Nunca ficou sabendo das câmeras escondidas no apartamento do Leblon. Nem dos dólares que fez Larry ganhar. "Você viu isso? Será que ele pensou que eu tenho cara de puta? Fala sério!" Comentou com a amiga, ainda encucada com o negão.



Escrito por Phelipe, ou pelo Fábio? às 09h15
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Sebastião era gordo. Em seu rosto, acnes brigavam por um lugar ao sol. No corpo, pêlos vermelhos se espalhavam por todas as partes: braços, cotovelos, ombros, orelhas, púbis e pés. Morava em Nova Iguaçu, na baixada fluminense, com mãe, tia, avó e duas irmãs mais novas. O pai, foragido, não aguentara tanta energia feminina, inclusive a do próprio filho

De madrugada, enquanto todos dormiam, Tião ligava o computador e passeava por sites pornôs. Tocava punheta com cuidado para não acordar as irmãs e a avó, que dormiam no mesmo quarto. Quando gozava, segurava a porra no prepúcio e corria para o banheiro pra não fazer lambuzo. Sem sucesso. Algumas gotas sempre caíam sobre a irmã menor, dormindo no chão.

Durante o dia estudava Letras. "Sou bom com as palavras, sabe?" Dizia isso sempre que podia. Mas parou quando as pessoas começaram a reclamar do banho de cuspe que recebiam. Sem ter com quem conversar, criou um blog. Inventou um personagem. Lá, era Sebastian, um norte-americano de cabelos lisos, louros, sem pêlos no corpo. O sucesso do blog na internet veio aos poucos. Tião tinha alguns fãs. Dentre eles, Orlando, o mais assíduo de todos. Comentava sempre. Trocaram MSN, fotos, que lindo ele!, iam se encontrar no shopping.

Orlando chega e não se parece nada com a descrição dada. Era mais velho. Bem mais velho. As fotos que tinha enviado deviam ser de 1995. Tião nem se importou. Sentaram-se num Bob's. Conversaram amenidades. "Você é horroroso. Não vai rolar mesmo", anunciou Orlando. Desolado, o garoto não sabia o que fazer, para onde olhar. "Dá licença, vou amarrar meu tênis", disse.

Debaixo da mesa, Orlando leva um susto ao perceber que seu zíper estava sendo aberto pelo gordo. Com um chute no rosto, joga Tião longe e começa a bicar o garoto no chão. Uma multidão se aglomera e os seguranças do shopping levam o agressor pelos braços.

Na semana seguinte, o estudante de Letras nem apareceu na faculdade. Para a mãe, disse ter reagido a um assalto. Naquela madrugada, em meio a lágrimas que desciam sobre espinhas abertas e sangue, encerrava a ilusão que tinha começado em seu blog. Sebastian, o norte-americano, se despede dos internautas com uma frase. "Thowse whose we love most are the ones who hurst us most."


Escrito por Phelipe, ou pelo Fábio? às 09h47
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