Psiquê e Eros

Psiquê era linda. Filha de um rei e uma rainha, era tão gostosa que, quando a chamavam de princesa, sempre havia um duplo sentido. O povo babava geral pela gata e esquecia de fazer o mesmo com a deusa do amor Afrodite, que, acostumada a ser a gostosona do pedaço, ficou muito puta. A deusa chamou seu filho, Eros - a encarnação do Amor, e mandou que ele fizesse Psiquê se apaixonar pelo cara mais escroto o possível. O guri prontamente acatou as ordens da mamãe e partiu para sacanear a coitadinha. Com um vaso de água amarga do templo de Afrodite, molhou a boca de Psiquê, para que ninguém se apaixonasse por ela. Cheio de pena, tocou a mina com sua flecha. O que ele não esperava é que a garota acordasse e olhasse direto em seus olhos. Atrapalhado com o acontecido, o deus acabou se ferindo com sua própria flecha. Voilá, o feitiço se virou contra o feiticeiro, ficando o Amor enamorado. Vendo o tamanho da cagada que fez, Eros se mandou literalmente voando.

Após isso, os meses passaram, as irmãs de Psiquê (que eram meio mocréias) até casaram, enquanto a princesa ia ficando pra titia. Seus pais ficaram preocupados e resolveram ir num oráculo saber o porquê do encalhe. A resposta foi de que a donzela estava destinada a casar com um monstro, que nem os deuses conseguem vencer. E que o fulano estava esperando a noivinha no alto de uma montanha. Lá se foram a família e os súditos pra tal montanha, levando Psiquê. A menina não estava tão contrariada assim. Como toda mulher encalhada, queria mais era um homem pra chamar de seu, mesmo que este homem fosse o Erasmo Carlos.

E no topo da montanha, a garota esperou. Em vez de um Godzila grego, Zéfiro, um vento muito fresco, apareceu e carregou a gata para uma clareira florida, onde ela adormeceu. Quando acordou encontrou um palácio foda, cheio de empregados invisíveis puxando seu saco e instruindo que o noivo chegaria a noite.

A noite caiu e o noivo chegou. Psiquê não viu as fuças do indivíduo, porque estava escuro e o cara fazia questão do breu. Devia ter vergonha do corpinho. Psiquê não reclamou e mandou ver all night long. Mordomias mil de dia, sexo no escurinho de noite, essa era o cotidiano de Psiquê. Mas como tudo que é demais, enjoa, a princesa quis dar uma sacudida na rotina. Pediu férias conjugais para o maridão e foi visitar a parentalha. Em casa, tratou de se exibir. Disse que a casa dela era tudo de bom, os empregados cem por cento e que o marido era um tesão. As irmãs mocréias ficaram verdes de inveja e começaram a pedir detalhes. Psiquê se embananou e acabou revelando que num viu o marido nem mais gordo nem mais magro.

As megeras começaram a por minhoca na cabeça da caçulinha. Disseram que o cunhado deveria ser um monstrengo, um filhote de cruz-credo e que era melhor ela levar uma lâmpada pra ver a carinha do sujeito. Se fosse um monstro mesmo, que ela passasse a faca no desgraçado.

A babaca da Psiquê caiu na pilha das irmãs, e na primeira noite de volta ao palácio, foi bisbilhotar o marido. Desastrada, assim que reconheceu o gostosão do Eros, deixou cair óleo quente na cara do bofe. Ele acordou com a desobediência de sua patroa, deu um esporro nela e bateu asas de novo. Agora Psiquê estava no olho da rua. Voltou pra casa das irmãs e contou a história toda. As irmãs encararam o acontecimento como uma oportunidade e foram correndo para o topo da montanha pra se jogar para o cunhado. Em vez de Eros, acabaram se jogando em um precipício mesmo. Pois bem, agora sem marido e sem irmãs, Psiquê estava só no mundo. Sem saber para onde ir acabou parando em um templo de Ceres, a deusa da agricultura. O lugar estava a maior bagunça e não sei por que cargas d’água, a mina resolveu fazer aquele faxinão. A deusa gostou tanto que resolveu dar uns toques para a menina. Mandou-a falar com a sogra e tentar a simpatia da jararaca.

Lá se foi a sofredora falar com a mãe do seu amado. Afrodite, como era de se esperar, foi super grossa com Psiquê. Chamou-a de infiel para baixo. Mas deu uma oportunidade a ela. Se ela fosse uma dona de casa trabalhadeira talvez houvesse uma chance dela se reconciliar com o filhinho-da-mamãe. E dito isso pôs a coitada a separar uma tonelada de grãos de trigo, feijão, lentilha, cevada, o escambau. E que isso estivesse pronto quando a madame voltasse de seu rolê olímpico.

Psiquê ficou de boca aberta diante do abacaxi inextricável que teria que descascar. O maridão, no entanto, deu uma mãozinha para a amada. Fez com que formigas cumprissem a tarefa. Quando Afro voltou não acreditou no que viu. Não acreditou mesmo. Na manhã seguinte, como contraprova, mandou a nora catar lã de uns certos carneiros dourados. Quando Psiquê estava para atravessar o rio que separava o pasto dos carneiros, o curso d’água a alertou para fazer isso de noite quando a água estivesse calma e os carneiros (que eram tão brabos quanto pitbulls) dormindo. A garota obedeceu o rio e voltou para a sogra com uma braçada de lã dourada.

A deusa sabia que ela não teria conseguido por si só e mandou-a para uma tarefa ainda mais espinhosa. Descer Érebo e buscar um pouca de beleza da rainha do submundo, Perséfone. Ou seja, mandou Psiquê literalmente para o inferno. Já de saco cheio dos desmandos da sogra, Psiquê, resolveu pegar um atalho para o mundo dos mortos, se suicidando. Uma voz evitou sua morte, chamando atenção da garota à sua própria força de vontade e ainda indicou um meio menos sanguinolento de chegar ao submundo. Antecipou que Perséfone a daria uma caixa com sua beleza dentro e que ela NÃO abrisse a caixa para espiar. A tarefa foi cumprida sem maiores delongas. Mas como errar é humano e repetir o erro é feminino, Psiquê não agüentou e xereteou o conteúdo da caixa. Caiu em coma no meio do caminho de volta.

A essas alturas, Eros, resolveu tomar as rédeas da coisa. Voou até sua bela adormecida, mandou a curiosa terminar o que a mãe tinha mandado e partiu para o Olimpo falar com o todo-poderoso Zeus, para ver se o cara dava uma força. Zeus fez um puta lobby a favor dos pombinhos que Afrodite consentiu que esses se reconciliassem. Hermes foi buscar a garota e no Olimpo ela ganhou um par de asas de borboleta e se tornou imortal.

Bonitinho não? O que não foi dito é que o nome Psiquê significa alma. Ou seja, a moral da história é: como a alma sofre por causa dessa porra de amor!



Escrito por Fábio às 11h19
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A almofada que queria ser travesseiro

- Me leva para o quarto?
- Não posso, eu já tenho travesseiro.
- Aquela coisa feia e toda torta?
- É que eu já me acostumei com ele. São mais de três anos juntos. Além do que você é muito alta, eu não consigo dormir contigo.
- Que uó...

E era assim a vida da almofada. Apesar de super gostosinha, ela ficava na sala. Algumas vezes o dono tirava uma soneca com ela, vendo tevê e era o mais próximo a uma vida de travesseiro que ela tinha.

Com o passar do tempo, a coitada foi ficando amargurada e passou a provocar rinite. Acabou no lixo.

Escrito por Fábio às 09h43
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Juninho era um garoto mimado e cheio de manias. Sua mãe, Luci, ao inves de corrigi-las, as incentivava. “Meu filho vai ter tudo o que eu não tive!” Educação não estava incluída nesse tudo. A última mania que o moleque desenvolveu era de não cagar mais em casa. Só se satisfazia sentado na privada do vizinho de mesma idade, o Pedrinho.

- Manhê!
- Já sei, já sei. Estamos indo para casa do Pedrinho!

Em questão de minutos, eles atravessaram o gramado, batendo à porta da casa ao lado. Pedrinho atendeu a porta e aos gritos anunciou:

- Fátima-a! Eles tão aqui.

Fátima, a babá, apareceu de cara fechada:

- Vocês não podem entrar.

A mãe de Juninho protestou:

- Mas que audácia a sua. Meu filho vem todo dia aqui brincar e agora não pode? O que está havendo?
- Brincar, sei. - A babá cruzou os braços e apertou os olhos.
- Escuta aqui, sua sirigaitinha, ou você nos deixa entrar ou conto para sua patroa que você maltrata o Pedrinho. Você perde o emprego e vai em cana ra-pi-di-nho! Pode até ser linchada, viu?
- Ah é?
- É!
- Dona Juliana, você ouviu isso?

De trás da porta, Juliana, a dona da casa, se esgueira, o olhar furioso.

- Então a senhora vem todo o santo dia para a minha casa para trazer esse moleque cagão? O que a senhora dá para esse monstro comer? Carniça? A casa fica fedendo por horas e não há Bom Ar ® que de jeito.
- É Glaid ®.
- Ah, tanto faz! Eu trabalho o dia todo, chego em casa quase meia-noite e a casa tá fedendo ainda. Pelamordeus, eu tenho mais o que fazer do que chegar em casa e ficar cheirando merda de filho de vagabunda.
- Opa! Vagabunda não. VAGABUNDA NÃO! Eu casei virgem e estou até hoje com o mesmo homem. Ao contrário de você que cada dia tá com um. Aposto que nem sabe quem é o pai do Pedrinho!
- O quê? Agora chega.

Juliana pegou uma vassoura que jazia perto, e junto com a babá e o filho, saiu correndo atrás de Luci pelas ruas do condomínio. Juninho aproveitou a confusão para cagar em paz na casa do Pedrinho.

Escrito por Fábio às 21h20
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Gabriela foi à sua mãe, dona Regina, se queixar: a vida dela estava um tumulto insuportável, cheia de dificuldades, problemas, angústias. Ela disse à velha senhora que queria uma palavra que a acalmasse e lhe desse uma luz de como enfrentar tanta adversidade. Não tinha coragem de dizer claramente que estava sem dinheiro, que as baladas, as drogas e as viagens estavam consumindo o pouco dinheiro que conseguia como atriz. E como atriz foi até a sua mãe, fazer uma cena.
Don Regina já era macaca velha, não meteria a mão nessa cumbuca. E muito menos na carteira. Entrou no jogo da filha, foi à cozinha, pegou uma cenoura, um ovo e um grão de café.
- O que você vê aqui?
Gabi bufou de leve e respondeu:
- Vejo uma cenoura, um ovo e um grão de café.
A mãe colocou tudo numa panela com água, acendeu o fogo e botou pra ferver.
Depois de um tempo retirou a cenoura, o ovo e o grão de café e perguntou:
- O que você vê agora?
- Vejo uma cenoura, um ovo e um grão de café.
- Ai, Gabriela, acompanha... Não tem nada diferente neles não?
- Tá, a cenoura tá mole, o ovo ta duro e café tá molhado. E água que você ferveu isso tudo tá nojenta.
Dona Regina então chamou a atenção de Gabriela para o significado da água fervente: simbolizava as adversidades pelas quais a gente passa na vida.
- Tem gente que diante de problemas fica mole, fragmentável, inerte. Tem gente que, como o ovo, fica dura, impenetrável. E tem gente que, como o grão de café, não se modifica. Permanece igual e com uma diferença importante: sem deixar de ser ele mesmo, dá o melhor de si à água que o atormenta. E ainda consegue com que ela se transforme, adquirindo perfume e sabor
Gabriela ergueu o canto da boca e suspirou:
- Mãe...
Dona Regina sorriu, inclinou a cabecinha para o lado e susssurrou:
- Fala, minha filhota.
- Enfia o café, o ovo e, principalmente, a cenoura no seu cu, sua vaca.
Saiu batendo a porta da cozinha, resmungando.

Escrito por Fábio às 13h02
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Mauro tomava bomba. Era todo inchado, deformado. A pele era pura acne. E era disso que ele mais gostava. A toda hora estava espremendo um cravo ou uma espinha. A namorada de então protestava:
- Que nojo, Mauro! Como você é porco!
- Ah, é relaxante. Tipo, eu sou meu próprio plástico-bolha.

Escrito por Fábio às 18h23
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Lílian não aguentava mais. Aquela era última vez que Saulo, seu marido, enfiaria a mão no meio de suas pernas e diria: "Vai regular essa mixaria?" Esperou ele sair e interfonou para o porteiro:
- Vêm para cá agora, seu Genésio. E traz o zelador e o segurança. Ah, traz quem você quiser.
Aquela tarde, a até então recatada senhora deu muito, de todas as formas. E gritava para o marido, ainda que ele estivesse ausente:
- Não, Saulo! Eu não vou regular essa mixaria nunca mais! Pra ninguém, ouviu? PRA NINGUÉM!

Escrito por Fábio às 21h13
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Um dia, um leão aproveitou que o clima estava tranqüilo no water hole e resolveu desabafar com os outros predadores:
- É foda. Fim-de-semana é tudo igual. Eu chego na savana e fico lá sozinho. Não converso com ninguém, ninguém interage. Tô cansado de solidão.
- Eu passo pelo mesmo - disse uma hiena, entre risadinhas nervosas.
O leão só ergueu a sobrancelha e não falou nada. Quem era essa fedorenta para se comparar com ele? Continuou:
- Eu sou um cara bacana, boa pinta, bom papo. O que será que tem de errado comigo? Será que eu fedo? – perguntou-se, olhando para a hiena, que continuava rindo.

Uma zebra, na outra margem, ousou se intrometer na conversa:
- Olha, me desculpa, não pude deixar de ouvir. Posso dar minha opinião?
- Manda.
- Eu acho que você é muito exuberante.
- Como assim?
- Essa juba maravilhosa toda, esse corpo sarado, essas presas, essas garras. Tudo isso assusta. A gente, que não tem nada disso, fica desconfortável. Talvez se você tentasse ser mais simples, não passasse essa imagem arrogante. Até os seus gostos. Carne, carne, carne. Nós, do povo, gostamos de coisas básicas, um bom pastinho, um CD da Ivete Sangalo...
- Eu odeio capim, eu odeio axé.
- Ah, mas capim é supersaudável...

Antes que a zebra completasse a frase, um crocodilo a engoliu, irritado pelo papo vegan.

O leão foi para a casa com aquelas palavras na cabeça. Meditou um tempo e tomou uma decisão. Foi até um barbeiro e ordenou:
- Raspa tudo!
- Mas...

O leão rosnou e o barbeiro não falou mais nada. Passou a máquina zero na juba do rei das selvas, cortou as garras e ainda limou os dentes.

No final de semana seguinte, o leão foi visto, caindo de bêbado, entre gazelas e gnus animadíssimos, dançando ao som de Ivete no Maracanã. Levantava as patinhas para cima e, fingindo ser feliz, gritava.
- Poeira-a! Lê-van-tou pó-ei-ra!

A hiena olhou aquilo tudo e, pela primeira vez, não achou graça de nada


Escrito por Fábio às 09h42
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Ontem

Ele desligou a tevê. Aurélio estava cansado de especiais do Dia dos namorados. Fazia mais de 20 anos que passava aquele dia sozinho. Ligou o computador, abriu o msn e só o que viu mensagens meladas. Escreveu “mulher é tudo puta” debaixo do nick e foi preparar um miojo. Ao abrir a porta do armário flagrou duas baratas copulando. Assim já era demais! Cerrou a mão e esmagou as duas filhas-da-puta com o punho.

Aquilo mexeu com ele. Sentiu-se bem, mais leve. O assassinato dos insetos acordou um monstro de raiva e frustração que morava dentro dele. Nem lavou as mãos. Pegou um revólver e se dirigiu ao Outback. O lugar estaria lotado de casaizinhos comemorando sua data imbecil.
- Olá! Bem-vindo ao Outback! Você vai enfrentar uma pequena filinha! Qual o seu nome?

Ele rosnou um nome qualquer em resposta.

- Mesa para dois?

Aurélio olhou a mulher com uma cara tão feia que ela não perguntou e nem pediu mais nada. Entregou um dispositivo eletrônico de senha e avisou:

- Em torno de 40 minutos, vamos chamar você!

Ele pos o trambolho no bolso e foi dar uma volta pelo shopping center. No caminho, esbarrou com uma garçonete.

- Você quer provar nosso maravilhoso Awesome Blossom ™?

Aurélio esticou a mão e catou meia dúzia de pétalas da cebola empanada. Nem agradeceu.

Mais de uma hora e meia depois e nada de chamarem sua senha. Pegou o trambolho e jogou na primeira lata de lixo que viu. Foi para casa. Não matou ninguém. Tinha pego na cebola com a mão suja de barata. Já se sentia vingado.


Escrito por Fábio às 08h51
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As frutas

As laranjas novas chegaram à quitanda. Elas eram importadas e caras. Foram postas do lado das laranjas comuns e logo trataram de não se enturmar.
- Dá para chegar mais para lá? Não dá para ver que sou importada?
As outras frutas se apertaram um pouco dando espaço para as metidas.
- Menina, dá para acreditar que nos venderam para essa quitanda uó?
- Eu também não acredito! Eu crente que estava indo para o Fasano.
- Deve ter havido algum engano. Não pode ser, mas deixa pra lá. Pelo menos estamos nos Jardins, não é?
- Logo aparece uma socialite tudo e nos leva!
- Tá boa, nega? Desde quando uma socialite vem a uma birosca igual a essa?
- Ai, deixa de ser pessimista! Tá bom, a empregada da socialite vem e compra.
- Por mim, eu preferia uma artista plástica. Bem hype, cosmopolita, faria comigo alguma receita exótica que ela aprendeu em suas viagens na Índia.
- É! Esse é o clima! Logo, logo, vamos encontrar nosso destino!

O tempo passou e as laranjas vagabundas foram sendo compradas. As mais caras continuaram em seu cesto.
- Eu não acredito! Gente, pelamordedeus, me levem. Eu sou suculenta, eu sou gostosa, sou orgânica, sou IMPORTADA!
- Que desespero!
- É desespero sim, a gente ta ficando passada!
- Passada tá a tua bunda!
- Cala a boca que ta vindo um cliente aí! Sorria!
- Que cara de pobre ele tem! Não quero não.
- Verdade. Olha a camisa da C&A! Cruzes.

Mais uma semana e nada delas serem vendidas. O quitandeiro já olhava feio para elas.
- Acho que tô ficando com mofo.
- Põe um boné para disfarçar. Pior eu que to toda murcha.
- Já cogitou usar botox?
- Com que dinheiro, sua anta? Eu sou só uma laranja!
- Gente, vamos encarar a verdade. Nossa época passou. Estamos ficando velhas.
- Fale por si. Eu me recuso a ficar velha. Eu to malhando.
- E eu fiz uma tatuagem.
- Arrasa!


Escrito por Fábio às 09h37
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Um filho pergunta à mãe:
- Mãe, posso ir ao hospital ver meu amigo? Ele está doente!
- Claro, mas o que ele tem?
O filho, com a cabeça baixa, diz:
-Tipo assim, tumor no cérebro.
A mãe, furiosa, diz:
- E você quer ir lá para quê? Vê-lo morrer?
O filho lhe dá as costas, solta um humpf e vai.
Horas depois ele volta vermelho de tanto chorar, dizendo:
- Ai mãe, foi tão uó, tipo, ele morreu na minha frente!
A mãe, com raiva:
- E agora? Tá feliz? Valeu a pena ter visto aquela cena?
Uma última lágrima cai de seus olhos e, acompanhado de um sorriso, ele diz:
- Muito, pois cheguei a tempo de vê-lo sorrir e dizer: “eu tinha certeza que você vinha!”
- Que merda!
- Eu sei... Mas eu tirei um monte de fotos pra colocar no orkut. O que você acha dessa dele revirando os olhos? Fiquei bem?


Escrito por Fábio às 08h31
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Só em casa Gisele era ela mesma: a menina da roça que, pelada, roubava goiabas com os primos. Nada de sofisticação, nada de perfume, de roupa, de banho, de desodorante e, para o desespero da empregada, nada de papel higiênico.

- Ai, minha filha, põe uma calcinha pelo menos, faz favor.
- Fuck off, dona Eva! Estou na minha casa, sou uma mulher livre, dona do meu nariz.
- Giselinha amada, você ta marcando todo o sofá. Ele é branco, menina. Tem pena da nega velha aqui.
- Nega velha? Você é tão alemã quanto eu!

As duas mulheres conviviam há mais de 10 anos. Era dona Eva que fazia faxina no flat que Gisele dividiu com 16 outras meninas no começo da carreira de modelo.

A garota se levantou e foi para o quarto. A empregada pôs-se a limpar o círculo marrom carimbado no sofá. Gisele voltou de calcinha.

- Happy now, vaca?
- Papel higiênico rola também?
- Não abusa.

A modelo só passava uns poucos dias por ano em casa. O suficiente para deixar várias calcinhas borradas.

- Nem lava! Põe tudo fora. Eu sempre ganho mais. Eu posso, eu sou a Gisele!

Dona Eva não cumpria essas últimas ordens. Assim que a patroa viajava, ela fotografava as peças uma por uma, as embalava e punha para vender na e-Bay.

- Isso aqui vale ouro no Japão!


Escrito por Fábio às 08h50
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- Que risco é esse aí, Luciano?
- Nada – disse o marido tapando os ombros com uma toalha.
- Nada o caralho, deixa eu ver isso.
Mariana era insistente. E também era forte. Com um movimento só, jogou o marido no sofá e arrancou a toalha.
- Uma tatuagem? Que merda é essa?
- Não era para você ver ainda. Eu ainda nem colori.
- Que porra é essa, homem? Duas estrelinhas? O que foi agora, quer ser a Monique Evans?
Luciano se irritou, cobriu as tatuagens e se levantou.
- Mulher chata. O pessoal todo da academia tem estrela tatuada. Tá na moda.
- Academia? Você tá fazendo academia? O que mais você tá aprontando?
- Ah, me deixa.
Luciano se trancou no banheiro e deixou Mariana falando sozinha na sala. Luciano não era assim. Desde que a conheceu no começo dos 90 em um show do Kaoma, o cara fazia só o que a mulher mandava. Ela estava estupefata com a insubordinação.

As semanas que se passaram não foram fáceis para o casal. A mulher jogou pela privada dois potes de whey, dizendo que era anabolizante. Ficou um dia inteiro em choque quando o Luciano apareceu em casa com o peito depilado. Fora que ele resolveu ressuscitar o brinco que não usava desde que tinha 16 anos.

Algumas amigas a aconselharam a maneirar com o marido, que ele tinha feito recém 40 anos, era crise. Outras mandaram Mariana abrir o olho que ele devia ter arranjado uma namoradinha mais nova e estava fazendo essas coisas todas para impressionar a putinha. Mariana, que não sabia o que fazer, achou melhor seguir os dois conselhos.

Se por um lado as mudanças a assustavam, por outro até que ela tava gostando. Ficava secretamente orgulhosa em ver o marido bem mais magro, sem pêlos saindo pelo nariz e orelhas, com roupas novas. Ficava ouvindo na extensão quando alguém telefonava e checava as ligações no celular quando ele entrava no banho. Não havia nada de estranho.

Estava começando a se acostumar com as transformações, quando um dia, Luciano chegou em casa com mais uma novidade.

- Ah, não. Megahair não! Tudo tem limite!

Encheu umas malas de roupa, pegou as crianças entrou no carro e saiu sem dizer nada.

Luciano nem se abalou. Desempoeirou um LP, pôs no aparelho, deu um nó da camisa e, dublando, balançou os cabelos novos diante do espelho:

- Chorando se foi quem um dia só me fez chorar...


Escrito por Fábio às 13h37
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Microconto

O metrô lotado, Camilinha, 12 anos, voltava da escola com uma outra nota dez nas mãos e um velho tarado se esfregando por trás.


Escrito por Fábio às 17h44
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Mara era delicada como uma jamanta. Se fosse lésbica, seria tachada de caminhoneira. Mas não era. Era uma advogada carioca no começo dos seus 30 anos, ganhando a vida em São Paulo. Era menos bonita do que se achava. De longe e de óculos escuros até que enganava. Mas de perto, os olhos vidrados, a voz de barítono e o vocabulário de letra de funk assustavam.
- Por que caralho ninguém quer me foder nessa porra de cidade, puta que pariu?
As amigas tentavam amenizar, pondo a culpa nos pretendidos.
- É bicha.
- Não é pro teu bico!
- O que você quer com aquele loser?
- Deve ter pau pequeno!
- Ainda vive com a mãe!
As desculpas não terminavam nunca. O que nenhuma tinha coragem de dizer era a verdade. Mara era destemperada. Extremamente simpática se agradada, virava uma megera quando contrariada.
E assim os anos foram se passando e Mara sempre sozinha. Comemorou o aniversário de 40 anos com uma superfesta. Muitas amigas não foram por causa de maridos e filhos. Mara as chamou de putas e outros palavrões.
A festa de 50 anos foi mais simples. Compareceram algumas vizinhas e a empregada.
Aos 60 ela nem quis festa. Não quis admitir que estivesse ficando velha. Era melhor ignorar.
Aos 70 já estava em um asilo, completamente senil. Passou o aniversário solitária, agarrada a potes vazios, gritando:
- Meus iogurtes, eles querem os meus iogurtes!


Escrito por Fábio às 09h23
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Nos bastidores de um pequeno teatro-escola, dois aspirantes a ator conversam enquanto esperam sua vez de se apresentarem.
- Estou amuada.
- Que foi Fábi?
- Olha essa gente toda...
- O que tem?
- Eu não vou conseguir
- Claro que vai!
- Você acha mesmo?
- Claro!
Havia mentira caridosa no olhar de Celso. Ele prosseguiu:
- Você é talentosa, bonita, carismática...
- Acha mesmo?
- Acho!
- Sabe o que é? Desde pequena eu tenho essa ânsia, essa vontade imensa de brilhar.
- Natural.
- Quando era pequena, eu fazia teatrinho. Eu mesmo criava as histórias, figurino, maquiagem. Tudo! Sabe, sou polivalente!
- Imagino...
- Minhas empregadas adoravam, riam até poder mais. Tinha uma que até se mijava. Mijava mesmo! Aí que eu fazia mais graça. Sou uma comediante nata.
Celso sorriu condescendente.
Fábi continuou.
- Minha mãe ficava puta, claro. Eram as roupas e as maquiagens dela que eu usava. Ela chegava em casa, me pegava pelo braço, me enchia de tapa. Que raiva dela, sempre me tolhendo. Aí me trancava no quarto e ia dar esporro nas empregadas. Muito vaca, ditadora. - Fábi acendeu um cigarro e continuou. - É isso que as ditaduras fazem né, Celso? Inibem a produção artística, cerceiam a liberdade de expressão, impedem o povo de sonhar!
Celso nem fala mais nada, só balança a cabeça afirmativamente cada vez que percebe um fim de frase.
- Diz alguma coisa, amore!
- Dizer o quê? Você já sabe que é uma estrela.
- Sei mesmo?
- Sabe sim, escuta o que você mesmo fala.
- Eu falo demais?
- Não, imagina... Você... Você se expressa. É isso
- Verdade. Taí uma coisa que faço bem. Por isso to aqui. Nesse curso. Com o Wolf. Ele arrasa, não arrasa?
- Arrasa...
- Te adoro!
Ouvem-se palmas ao fundo.
- Olha, a menina acabou o monólogo. É sua vez?
- É sim.
- Graças a Deus. Vai lá e brilha!
- Eu vou brilhar!
- Isso, brilhe!
- Yeah!
- Cuidado com esses fios no chão.
- Onde?
- Aí, perto do palco. Tá saindo faísca.
- Onde?
- Cuidado, não pisa!
- AAAAAAAAAAAAAAAARGH!
- Fábi!
- Tô brilhando, tô brilhando!
Ao ver a atriz cair morta no palco, a platéia se ergue e ovaciona Fábi
Wolf comenta na coxia.
- Não sei não. Essa menina é péssima. Tudo que faz é over!


Escrito por Phelipe, ou pelo Fábio? às 11h28
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Velas

- Azuis?
- O quê?
- As velas...
- O que têm as velas?
- São azuis. Não são brancas.
- E daí? – Melissa franziu o cenho, confusa.
Daniela rebateu:
- Eu sempre sonhei com esse momento. Eu e o amor da minha vida, velejando em Angra, num veleiro branquinho, branquinho.
Emburrada, Daniela atirou a mochila no chão e se enfurnou na cabine do barco. A namorada carregou todas as tralhas para dentro. Era Semana Santa. As duas meninas tinham se conhecido no carnaval, em Salvador. Eram amigas de amigas. O interesse foi mútuo. Melissa era rica, Daniela era bonita. Em duas semanas já estavam morando juntas.
- Acho que as velas são brancas, o negócio azul é tipo uma capa, bebê.
Daniela desfez a cara emburrada e mordeu o beicinho, sensualmente. A namorada largou o copo com vodka e pulou em cima da outra.
- Ai, não... Não aqui no ancoradouro. Vamos pro meio do mar? – Daniela arregalou os grandes olhos verdes e, sorrindo, balançou a cabeça assertivamente.
- Tá bom, mas eu não sei se sei pilotar essa coisa.
- Sabe sim. O moço te explicou. É super simples!
Não era difícil não, Melissa abalroou dois barcos na hora de zarpar, mas tudo bem. Em pouco mais de uma hora, já estavam sozinhas no mar.
- Vai lá fora um pouco, Dani.
Dani obedeceu, deitou-se no tombadilho com seus óculos Dior novo, passou o bronzeador importado e fez pose de diva para paparazzi imaginários. Melissa ficou na cabine apertada, fazendo barulho enquanto preparava alguma coisa. Alguns minutos depois gritou:
- Bebê-ê! Pode vir.
A namorada se ergueu e foi saltitando em direção a cabine. Em volta da pequena cama, várias velas acesas. Melissa sorria:
- Que tal? Gostou da surpresa?
Daniela devolveu a pergunta, seca:
- Você tem problemas com velas, não tem?
- Como assim? Não to entendendo.
- Primeiro as velas do barco, agora essas velas...
- O que tem as velas?
- O que não tem as velas, você quer dizer! Comprou isso onde? No 1,99? Poxa, Melissa, eu me dedico a você, sou super carinhosa, te faço ir aos melhores lugares, te mando mensagem pelo celular todo dia. Já gastei mais de 100 reais esse mês só em torpedos. Sabe, eu não sou rica igual a você!
- Porra, o que eu fiz de errado. Você queria um passeio romântico de barco e tá aqui a porra do passeio, porra!
- Sua grossa! Ta uma merda esse passeio! Eu te peço algo simples, bem simples e você é incapaz de fazer direito! Isso é vela que se compre? É para ser algo romântico, sensual! Tá parecendo um velório! Pior! Tá parecendo um despacho.
Melissa ficou vermelha de raiva. Rangeu os dentes, arregalou os olhos e enfiou um tapa na cara da namorada.
Daniela caiu por cima das garrafas de vodka que se quebraram sobre as velas acesas. Um pequeno incêndio começou. Melissa, apavorada, saiu correndo da cabine e pulou no mar, esquecendo-se que não sabia nadar. A outra ficou presa entre as chamas que cresciam.
- Daniela, uma bóia, uma bóia!
- Ai, Melissa, não enche, eu já tenho meus problemas aqui.
- Eu não sei nadar!
- E eu não sou a prova de fogo! Você só pensa em si.
- Me salva. Eu vou morrer!
- Eu, eu, eu, eu... Tudo pra você é eu! Ack! Eu to me queimando aqui; não ta vendo?
- Da... ni... ela!
- Me deixa, me deixa!
- Me... sal... va!
- Não me arraste para seus problemas. Não vê que to morrendo! O problema desse mundo é que todo mundo só pensa em si. Argh! Ninguém vê o lado dos outros!

E essas foram suas últimas palavras.

Escrito por Phelipe, ou pelo Fábio? às 09h25
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Luana amava borboletas. Estudou muito e chegou a se tornar entomóloga. As suas amigas não tinham nem idéia do que isso significava. Sim, Luana tinha amigas burras. Ela mesmo não era lá muito brilhante. Mas tinha um título e uma pós. Tudo fruto do amor pelas borboletas.

Luana se esforçava em capturá-las. Escrupulosa, não usava redes nem outros artifícios, apenas seu charme e exuberância. Em vão. Por mais que a garota corresse atrás, as borboletas sempre fugiam. Às vezes tentava não correr, se aproximando lentamente, só para no final ver os insetos e suas asas coloridas se afastando. Havia ocasiões que jurava que as borboletas riam da cara dela.

Foram tantas as tentativas frustradas que Luana se sentiu puta.

Uma amiga, ciente da dor da menina, mandou um email fofo que dizia: "Não corra atrás das borboletas. Cuide de seu jardim e elas virão até você!"

Luana coçou a cabeça, franziu o cenho e deu um meio-sorriso. Nos meses seguintes fez projetos, escolheu flores, revolveu a terra, adubou o solo, transplantou mudas, regou plantas, cuidou de pragas e esperou. Esperou. Esperou e esperou.

Num belo sábado de sol, a menina estava lendo o jornal em seu éden particular, quando o esperado aconteceu. Era ela! A primeira borboleta!

Luana estendeu a mão e o inseto pousou delicadamente em seus dedos. Com carinho, a menina a depositou no braço da cadeira. Enrolou o jornal que lia e pluft! Num movimento só, esmagou a desgraçada!

- Agora quem não quer sou eu, sua filha da puta!

Escrito por Phelipe, ou pelo Fábio? às 10h07
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Internéticas

Eduardo sentou-se diante do computador e pensou: “é hoje”. Ia dar uma guinada, poria a vida nos eixos. “Preciso parar logo com isso, preciso provar que eu existo...” cantaralova, enquanto se logava ao bate-papo do UOL. Sexo gay... Seu coração batia mais forte a cada clique, a cada página carregada.

Era isso que ele queria. Conhecer um homem, experimentar pela primeira vez o sexo entre iguais. Sim, Eduardo era cafona. Seguiu adiante. Primeiro contato, novo demais. Segundo contato, que bichona! Terceiro, quaro, quinto... Ele foi perdendo as contas de com quantos caras havia teclado. “Porra, se eu conhecer o sujeito certo, a Janete dança na hora. O que eu quero é ser feliz, caralho!”

Janete era sua noiva fazia três anos. Era ortodontista como ele, dividiam o consultório. Dividiriam a vida. Carinhosa, reclamava que ele sempre corria para o chuveiro depois de gozar.

No enésimo contato, conheceu João. Arquiteto. Cidadão do mundo. Brincalhão. Apaixonado. Eduardo enrolou o cara por duas semanas e o deletou do MSN. Não estava preparado. Casou-se com Janete dois anos depois. Tiveram dois filhos. A menina saiu de casa aos 17, brigada com o pai. O menino morreu aos 18, acidente de carro. Janete pediu o divórcio e foi morar com uma jogadora de vôlei.

Sozinho em casa, Eduardo olhou mais uma vez a foto de João. Havia a guardado sempre consigo . Onde é que ele andaria? O que teria feito todos esses anos? Engoliu um vidro inteiro de sonífero, enfiou um saco de lixo na cabeça e se matou.

Foi a empregada quem achou o cadáver. Tirou todo o dinheiro da carteira, roubou dois vidros de perfume e suspirou:

- Segunda-feira eu chamo a polícia.

...

Augusto usava o teclado como uma arma. Disparou da última vez. “A internet é o novo velho jornalismo. O único compromisso que esse blog tem é com a verdade. Doa a quem doer. Sem meias-palavras, sem meias-verdades. 100% opinião”, escreveu.

Estava empolgado com o blog que criara. Sentia-se livre para discorrer sobre todos os assuntos. “Madonna já era”, “A MPB morreu e esqueceram de enterrar”, “Aborto é crime sim!”, “A Fernanda Montenegro de hoje é uma imitação da de ontem”.

Na segunda semana, recebeu o primeiro comentário. “Vai se fuder, sua gorda! Hahahahaha”. Augusto não respondeu a provocação. Nem baniu o IP. Deletou o blog e se matriculou numa academia.



Escrito por Phelipe, ou pelo Fábio? às 18h59
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Leonora, 40 anos, nunca foi comida de verdade. Trabalhava em uma empresa de informática como programadora. Tinha medo de viver e adorava dificultar o próprio caminho. Morava no Rio, odiava praia. Adorava bermudinhas, mas não usava porque tinha pernas roliças. Queria dar para o pessoal do trabalho, mas preferia ficar no msn dizendo isso para as amigas. Queria ser legal, mas era muito chata.

Três anos sem sexo foram preenchidos com muito chocolate. Queria resolver aquilo. Tinha que transar, se sentir bonita. Matriculou-se em uma academia. No primeiro dia, fez poça de suor no chão. Tomou banho e foi para o trabalho toda feliz. “Nossa, eu tô toda erotizada hoje”, avisou para a amiga no msn.

Naquele dia, Antônio veio trocar o mouse de Leonora. Enquanto arrumava os fios embolados, um deles esbarrou nos seios da programadora. Foi o suficiente para que seus faróis se acendessem. Começou a imaginar Antônio - que se encontrava agachado embaixo da mesa – abrindo suas pernas, tirando sua calcinha e lambendo sua vagina. Gozou.



Escrito por Phelipe, ou pelo Fábio? às 18h08
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Fátima pegou os dois pelas bermudas, os jogou na cama king-size do patrão e avisou.


"Vão tirando a roupa, que o show vai começar”.


Pretinho e Fabinho obedeceram. A empregada de confiança de Larry pegou então uma vassoura. Dançou com o cabo entre as pernas, tirou a calcinha, roçou, roçou, roçou. Fazia que engolia a vassoura, lambia os dedos e passava as mãos molhadas por todo o corpo... Pulou na cama ao ver que os dois já estavam prontos. E por lá ficou por horas. Nem se importou com o interfone. Só parou quando viu Larry na porta:


"Puta que pariu, caralho! Ai, meu deus! Me desculpa, seu Léuri! Ai, tô fudida, porra... Puta que pariu!" Dizia, enquanto os dois se vestiam e saíam desesperados do apartamento. "Eu sei que o senhor vai me demitir, eu já vou juntar minhas coisas."


"Non precisa, Fátima. Só não fazer repetir, ok?" Disse Larry, tranqüilo.


Fátima nem acreditou. Trabalhava para o gringo desde que ele tinha vindo morar no Rio, dez anos atrás, mas nunca achou que seria perdoada depois desse flagrante. Sempre levou porteiros, amigos do Vidigal e garotos do condomínio para trepar no apartamento. Chegou a vender droga ali um verão inteiro, sem Larry desconfiar. Era uma empregada de confiança. Tinha que continuar assim. “Eu ganho em dólar, porra”, explicava para a amiga ao celular.


Na semana seguinte, tomou mais cuidado. Deu uma festa para quinze pessoas no sábado em que Larry viajou para Macaé. Dessa vez, avisou aos porteiros (que também puderam comer e beber) e ficou tudo sob controle. Maconha, cerveja, CD pirata tocando no aparelho de DVD, suruba, gente trepando na escada, no banheiro, no corredor e, claro, na king-size do patrão.


A demissão veio no fim do ano. Larry iria voltar para Nova York e não precisava mais dos serviços de Fátima. Esta, nem carta de recomendação ganhou. “Tô puta com aquele viado. Me deixou sozinha e sem trabalho. Fui daquele corno a vida inteira e saí sem destino”, reclamava com a amiga enquanto caminhavam em Copacabana. Ao chegarem no calçadão, foi abordada por um gringo. Não sabia falar inglês, mas percebeu que o negão a tinha reconhecido. Pediu para beijar a mão de Fátima:


"I´m a big fan of your website for, like, years. I know it´s an amateur thing, but I just love you. Love to watch you fucking for real." Disse, entusiasmado.


"Poxa, I love you também." Respondeu Fátima, sem entender muito o que ele tinha dito.

Tirou fotos com o gringo e continuou andando. Nunca ficou sabendo das câmeras escondidas no apartamento do Leblon. Nem dos dólares que fez Larry ganhar. "Você viu isso? Será que ele pensou que eu tenho cara de puta? Fala sério!" Comentou com a amiga, ainda encucada com o negão.



Escrito por Phelipe, ou pelo Fábio? às 09h15
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